O projecto de Daniel Santos
Como tinha sido anteriormente referido, o projecto de Daniel Santos opta por uma forma simples - quase icónica - que alberga a totalidade do programa funcional da Biblioteca, distribuindo as três grandes áreas públicas (Biblioteca Pública, Biblioteca de Crianças e Arquivo) nos três braços do edifício. Os espaços de leitura resultantes dessa solução são potencialmente fascinantes, lidando de forma diferenciada com a(s) paisagem(ns) que literalmente enquadram.
Os espaços destinados aos Serviços e a Cafetaria são dispostos na base do edifício, conseguindo resolver de forma simples e elegante a relação entre a massa construída e o terreno envolvente a norte. Os patamares formados por esta solução, contrastados com a forma do alçado, encaminham toda a tensão para o centro do edifício (que é de facto o seu ponto principal), resultando numa espécie de Grand Hall de recepção; embora, curiosamente, a entrada principal do edifício esteja apontada pelo Aluno na fachada oposta (sul).
Há questões ainda pouco trabalhadas, que ressaltam pela importância que terão para o projecto, nomeadamente: o excesso de área (que leva a que a volumetria total do edifício seja desadequada à sua escala), o excesso de pisos acima do solo, com localização de depósitos no nível superior (o que anula a hipótese de relacionar a forma das salas de leitura com o desenho de uma cobertura que seja mais consequente para o interior dos espaços mais nobres do edifício; criando dificuldades na obtenção de uma melhor relação entre a massa construída e a sua morfologia) e, sobretudo, a aparente ineficácia dos circuitos funcionais propostos (que, ao invés de se separarem, encontram-se misturados ao longo do edifício).
Na verdade julga-se que as partes do projecto menos interessantes (Ex: fachadas, reveladas sobretudo nas peças desenhadas) são exactamente consequência das questões levantadas anteriormente.
Em relação à apresentação os desenhos apresentam ainda algumas lacunas de representação (ausência de vãos e de outros elementos que permitam a compreensão da escala e do tipo de funcionamento de cada espaço); sendo que a Maqueta apresentada não fez justiça ás qualidades aparentes do projecto.
O Aluno terá avançado algumas ideias (em Memória) sobre a materialização do edifício, e aspectos construtivos; julgando-se positivo o modo de procurar relacionar ambientes e espaços por ele criados.
O projecto de Sandrine Portas
A primeira observação que se pode fazer do trabalho de Sandrine é a de que o projecto agora apresentado revela um progresso substancial em relação à sua proposta original; sem que para tal a Aluna tenha dispensado nenhuma das principais intenções que estruturam a sua Biblioteca.
Desse modo a solução de Sandrine consegue manter as características funcionais da sua proposta (consolidando-as até), reformulando a forma geral do edifício; tendo por base a procura de uma relação entre cada um dos espaços internos, a sua forma e as relações que cria entre o restante edifício; e também, claro, o exterior.
A preocupação em dimensionar os espaços consoante a sua função, e organiza-los segunda uma estrutura plausível, irá permitir uma leitura clara da solução geral; ao mesmo tempo que se reforça a hierarquização funcional e espacial. Tudo isto é de certo modo confirmado pela volumetria da Biblioteca que, passe embora a aparente falta de controlo sobre a escala, irá imprimir características formais que potenciam a obtenção de uma solução definitiva para a imagem que a Aluna pretende obter.
Ressalta-se ainda a procura da Aluna em dotar o edifício de uma regra (baseada na localização das colunas de comunicação verticais); conseguindo ao mesmo tempo libertar as circulações (públicas) da excessiva rigidez da solução anterior.
Note-se que o projecto é, ainda, algo desequilibrado; revelando-se problemas ao nível da relação entre o edifício e a topografia; e também entre parte do programa (pisos inferiores) e o terreno. Julga-se também que a própria forma do espaço central (o átrio) é ainda desadequada á forma e á escala do edifício.
No entanto é de assinalar que os problemas que o projecto apresentam não colocam dúvidas acerca do potencial do projecto, sendo portanto de concluir que a evolução do trabalho de Sandrine foi bastante positivo.
Biblioteca Publica de Pallafols

Outra Biblioteca que (até agora) nos era desconhecida; da autoria de Enric Miralles: a biblioteca publica de Pallafols, na Catalunha.
O projecto é de 1997, mas só veria a sua conclusão uma década depois, já depois da morte do seu autor. A obra retoma a aspereza material dos primeiros projectos públicos de Miralles, onde os revestimentos (pobres) param antes do que era suposto; numa espécie de jogo entre o inacabado e um certo decorativismo (com origem no Gaudi, digo eu) que lhe imprime uma possibilidade de leitura próxima dos desenhos do autor, quase bidimensional.
O projecto encontra-se bem documentado no site do atelier EMBT, incluindo plantas e um pequeno vídeo.
Duas Bibliotecas


A já referida e referenciada Weekly Dose of Architecture mostra-nos dois projectos que desconhecíamos: a Biblioteca do Langara College, em Vancouver, da autoria do gabenete Teeple Architects, e a renovação da Biblioteca de Winnipeg, com projecto conjunto dos Patkau e de LM Architecture Group.
Valerá a pena olhar para as Plantas de uma e doutra com alguma atenção.
As Fachadas da Mónica
Dessa forma os dois projectos que Mónica cita (o Centro Tecnológico MacLaren, de Norman Foster, e o Museu Mercedes Benz, de Ben Van Berkel) são-nos de certa forma inúteis, porque as premissas de uma e outra obra divergem totalmente da abordagem que a Aluna tem para o seu edifício.
Diria que o problema das fachadas e da materialização é ainda extemporâneo; sendo que, quanto a mim, o processo (de descoberta desses, e outros aspectos do edifício) deveria ser uma sequência lógica entre o desenvolvimento dos vários espaços internos da Biblioteca e das suas necessidades singulares:
Diria que qualquer um destes pretextos é válido para experimentar a abertura de vãos; pelo que preferiria sempre, enquanto autor de edifícios, experimentar uma solução que se baseasse numa vontade ou desígnio do projecto; do que propriamente colar soluções estudadas para ligar com outros contextos e outros conceitos.
- luz norte para zonas de leitura, talvez;
- enquadramento de perspectivas sobre alguns aspectos da paisagem, claro;
- relação/não relação entre espaços interiores e exteriores;
- dimensionamento de vãos consoante o tipo de funções e o tipo de utilizadores [não esquecer as crianças];
- composição entre cheios e vazios em cada um dos volumes;
- recuo [ou não] de vãos e aberturas em espaços voltados a sul, para sombreamento;
- criação de boa ventilação transversal nas salas [o que obriga à existência de aberturas opostas e complementares];
- sequência de percursos no interior do edifício [com possível estabelecimento de pontos de fuga para o exterior, ou o desenho de limites visuais que ultrapassem o perímetro construído];
- criação de espaços internos com ambientes lumínicos diversificados, adaptados aos respectivos usos;
- criação de ritmo claro/escuro;
- etc.
No entanto (e esta é, simplesmente uma questão de gosto pessoal), diria que o edifício deveria comunicar massa; que pudesse marcar definitivamente a paisagem; pelo que os vãos deveriam servir para acentuar o "peso" da biblioteca. Para bom entendedor....
O estado da arte

As Bibliotecas de Mónica Marinheiro, Joana Labela e Daniel Santos respectivamente. De resto não sabemos de ninguém.
Bibliotecas e Escadarias

Esquiço da Ideia de Mónica Marinheiro (ou pelo menos a minha interpretação)
O primeiro é de um edifício que de algum modo indicia semelhanças com a proposta de M. Marinheiro: um "corredor" em S que vai acompanhando o declive do terreno, garantindo uma ligação (no caso de MM, uma ligação de serviço) directa.
O projecto de Steven Holl é para um edifício da Andrews University, em Barrien Springs, Michigan, de 1992, e nunca chegou a ser construído. Os (únicos) desenhos que encontrei são publicados num livro intitulado Steven Holl, publicado pela Arc en Revê Centre d'Architecture / Artemis, Bordéus / Zurique, em 1993: pp. 94-95.

Andrews University, S. Holl, 1992
Claro que o difícil será imaginar as salas de leitura em escada. Por isso publico outra imagem de um projecto de Steven Holl, neste caso uma perspectiva da(s) sala(s) de leitura para a Biblioteca AGB, em Berlin (1998); e também uma imagem da ampliação da Biblioteca da Universidade Lateranense, em Roma, de King Rosselli, de 2006.

Biblioteca AGB, Berlim, S. Holl, 1988

Biblioteca da Universidade Lateranense, de King Rosselli, de 2006
Bom e Mau
Mau: Mónica Marinheiro, no seu New Spaces, dá-nos a conhecer uma biblioteca que ainda não tínhamos (pelo menos por aqui) visto. O Artigo é curto, e é fotocópia (texto e imagens) de um outro, publicado num blog chamado The urban earth.
Tal como tivemos já oportunidade de aqui referir, não consideramos haver qualquer tipo de problema em referir informação alheia; desde que a sua fonte seja bem explícita. Porque o contrário (usar o trabalho dos outros em nosso proveito) tem um nome: Plágio.
Para além de criminoso, revela total falta de consideração para com o autor, e para com todos aqueles que lêem o trabalho. E, atenção, em muitas escolas dá direito a suspensão.
Repare-se que o "erro" não se deve apenas a falta de atenção: MM publica até outros links que referem a "sua" Biblioteca do Quebeq; esquecendo-se, convenientemente, de nos dar a conhecer o blog de onde, literalmente, copiou o artigo.
Lamentável.
Não há fome que não dê em fartura
Não conseguinto concorrer em número com a multiplicidade de bibliotecas do Daniel, aproveita-se ainda assim oportunidade para mostrar outra das mais belas bibliotecas de sempre (na verdade um dos edifícios mais belos de sempre): a Biblioteca Beinecke de Livros Raros, da autoria de um arquitecto que fez carreira na SOM (Skidmore, Owings and Merril): Gordon Bunshaft.
A biblioteca, construída na Universidade de Yale em 1963, é composta por uma torre de estantes, encerrada por uma pele em mármore translucida, estrurada a finas e elegantes lâminas de betão.
Para quem estiver interessado, aqui fica a história de Bunshaft contada por ele próprio, recolhida por Betty Blum em 1989. Pode ser que seja tema de um teste surpresa.
Bibliotecas: de Siza, de Carrilho, de Belém Lima

Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, Álvaro Siza Vieira, 2008

Biblioteca Municipal de Tavira, Carrilho da Graça, 2005

Biblioteca Municipal de Vila Real, Belém Lima, 2007 (?)
A escolha de qualquer uma dessas Bibliotecas para o Exercício 6 (Borges Somos Nós) apresenta-se-nos como uma escolha sensata; visto qualquer uma delas ser facilmente visitável, podendo dessa forma ser compreendida na sua totalidade. E, claro, com a evidente vantagem de ser ter acesso aos projectos e aos autores.
Ana Rita terá alguma documentação sobre qualquer um dos três edifícios, que certamente disponibilizará aos mais curiosos.
Acrescentaria ainda a essa lista de bibliotecas á mão de semear algumas das minhas preferidas: a Biblioteca da Universidade de Aveiro ou, de uma outra forma, a Biblioteca do Palácio e Convento de Mafra ou a Biblioteca da Universidade de Coimbra, aí tão perto.

Biblioteca da Universidade de Aveiro, Álvaro Siza Vieira, 2005

Biblioteca do Palácio de Mafra, João Frederico Ludovice e outros, 1717 (data do início das obras do Palácio)

Biblioteca da Universidade de Coimbra (conhecida como Biblioteca Joanina, João Carvalho Ferreira e outros, 1717 (data do início das obras)
Relembro aos Alunos do Atelier VII que a escolha da biblioteca a estudar e apresentar no Seminário Borges Somos Nós deverá estar definida até ao próximo dia 28 de Outubro, Terça-Feira. Nesse mesmo dia faremos um ponto de situação sobre o tema.
Já agora, e porque não, refira-se que, apesar do Exercício 6 ser lançado para o Atelier VII (4º ano), qualquer interessado poderá integrar o Seminário Borges Somos Nós; pelo que convido os alunos do Atelier V a escolherem uma Biblioteca e sobre ela falarem.
Embora não seja um exercício curricular do 5º Semestre, a participação no Borges Somos Nós será uma boa experiência para todos e, claro, constituirá um bónus extra para a avaliação contínua.
Borges Somos Nós!
Obrigatório apenas para o Atelier VII
Tipo
Individual
Data de Lançamento
29 de Setembro de 2008
Data de Entrega Provisória
11 de Novembro de 2008
Data de Entrega Definitiva
2 de Dezembro de 2008
1. Descrição
A propósito do texto de Jorge Luis Borges (Buenos Aires, 1899 - Genebra, 1986) A Biblioteca de Babel (in Ficciones, 1944; Ed. Portuguesa: Teorema), em que autor nos apresenta uma Biblioteca infindável que supostamente contém todas as possibilidades de descrição da realidade, numa óbvia metáfora sobre a criação literária e a linguística; e acompanhando o tema do Exercício 2 (Atelier VI) - exactamente uma Biblioteca -, propõe-se uma viagem pelas bibliotecas mais significativas para a história da criação arquitectónica.
Para isso organiza-se o Seminário Borges Somos Nós!, que reunirá Alunos (Atelier VI) e professores da EUVG uma apresentação e num debate público em torno do tema. A cada um deles caberá fazer uma Comunicação sobre uma determinada Biblioteca, que será posta á consideração do público e dos seus pares; prevendo-se ainda a realização de um debate final.
2. Objectivos
O Aluno deverá ser capaz de investigar, analisar, interpretar e explicar uma determinada objecto arquitectónico (neste caso uma Biblioteca), procurando enquadrá-lo disciplinarmente, ao mesmo tempo que dissertará sobre o seu significado para a história e/ou teoria da arquitectura.
Trata-se de um exercício que visa sobretudo exercitar a capacidade de comunicação do Aluno, tornando-o consciente daquilo que é a linguagem própria de um seminário científico, e com as regras e os códigos de uma apresentação pública em arquitectura.
Sendo embora um exercício que exija alguma capacidade de investigação, o objecto de estudo não necessitará de ser aprofundado; dado que o seu objectivo principal é dotar o Aluno de capacidade de organização, de método e de competência de comunicação.
Procurar-se que o Aluno tenha contacto directo com o debate e a crítica.
3. Metodologia
O Seminário público Borges Somos Nós! irá decorrer em inícios de Dezembro, devendo contar com comunicações de Alunos (Atelier VII) e Professores. As inscrições para o Seminário serão feitas através do of Beauty and Consolation até ao final de Outubro.
Ao Aluno caberá a escolha de uma determinada Biblioteca (real ou projectada), que deverá ser objecto de estudo, para apresentação.
Na apresentação pública, com duração de 15 m., o Aluno deverá ser capaz de descrever o projecto, enquadrando-o no seu contexto disciplinar (histórico, teórico. etc.), devendo introduzir ao público o respectivo Autor (quem é, o que fez).
Procura-se que a abordagem ao tema do seminário seja pessoal; ou seja: não nos interessa que a apresentação repita uma qualquer tese já publicada e/ou apresentada. O Aluno deverá por isso explanar o objecto do seu estudo de forma pessoal, relacionando-o com os seus interesses e a sua própria sensibilidade; sendo por isso desejável que a escolha do edifício/projecto seja feita de modo cuidadoso.
A nomeação do objecto de estudo deverá ser previamente comunicada ao Regente da Cadeira.
Será avaliada a capacidade de apresentar e explicar edifício; que revelará necessariamente o tipo de investigação que foi feita.
O Seminário funcionará como uma espécie de exame oral: na discussão/debate final, que será feita entre todos os participantes, deverão ser colocadas um conjunto de questões sobre cada uma das apresentações.
HouseLife
É um filme soberbo sobre uma das mais surpreendentes obras de arquitectura contemporânea.
Koolhaas Houselife, que fez parte da selecção oficial do XI Festival de Cinema de Veneza, oferece-nos um retrato do quotidiano da casa a partir do ponto de vista de Guadalupe Acebo, a empregada doméstica.
A edição, disponível em Português, inclui um livro com textos, desenhos e imagens da obra. Absolutamente imperdível.
Biblioteca

Do mesmo modo podem fazer download do Organigrama Funcional.
Será tido em conta o cumprimento do Programa Funcional e respectivas áreas.
Bibliotecas do Desejo
O filme Asas do Desejo (Der Himmel uber Berlin,1987), do realizador Alemão Wim Wenders (Düsseldorf, 1945), tem sido recorrentemente citado no Atelier, por todas as razões e mais alguma.
Com o lançamento de uma Biblioteca como programa funcional para o Atelier VII, nada como vermos um excerto da fita, filmado exactamente no interior da Biblioteca Nacional de Berlim, obra póstuma de Hans Scharoun (Bremen 1893 / Berlin 1972).
Aconselha-se vivamente ver ou rever a obra de Wenders e, claro, a de Scharoun.
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